The timeline Experience
Conheça meu disco instrumental e o processo criativo por trás das músicas
A história do disco the timeline experience
Em 2019, eu estava no fim da graduação em Música Popular na UFRGS e precisava entregar meu TCC. Uma das possibilidades era justamente gravar um disco. Na época, eu estava envolvido até o pescoço com a Platinus, a banda de metal da qual fazia parte, e nosso foco estava em shows e na gravação de um álbum completo. Com o tempo apertado, compor e arranjar músicas com banda inteira — bateria, baixo, ensaios, estúdio — era algo inviável.
A solução que encontrei foi simples: criar um disco usando apenas guitarra. Assim, eu poderia gravar em casa, testar ideias no momento da criação e economizar muito tempo. Mas aí veio a pergunta: como fazer músicas só com guitarra que fossem realmente interessantes? Que não soassem vazias ou repetitivas?
Foi então que me lembrei de uma música instrumental que eu havia criado no semestre anterior para outra disciplina. A proposta era compor algo que representasse uma ideia, e essa música acabou simbolizando o estresse do fim do semestre. Ela nasceu de forma muito natural, a partir da experimentação com um pedal recém-comprado — o Strymon Timeline. Ao explorar um dos presets do pedal, comecei a improvisar e, sem perceber, a música foi tomando forma. Esse primeiro rascunho deu origem à faixa Eminent Storm, que mais tarde abriria o disco.
A ideia do TCC, então, passou a ser essa: criar um álbum instrumental onde o ponto de partida para todas as músicas fosse o Strymon Timeline. Usei o pedal não só como ferramenta de efeito, mas como fonte de inspiração para riffs, climas e estruturas. Levei o projeto ao meu orientador, Jean Presser, que apoiou e incentivou a ideia desde o início.
O processo criativo foi intenso e curioso. Gravei duas longas sessões de improvisação passando por diferentes presets do pedal. Depois, escutei tudo com atenção e selecionei 14 ideias soltas que me chamaram a atenção. A etapa seguinte foi agrupar essas ideias em quatro blocos que tivessem coerência entre si — e transformá-las em composições completas, com começo, meio e fim.
Cada faixa do disco tem essa origem experimental, mas foi cuidadosamente lapidada com as ferramentas musicais que aprendi ao longo da graduação. Algumas, como Misty Loner Time, já nasceram quase prontas. Outras, como Slim Eternity, exigiram mais construção e desenvolvimento temático. As gravações finais foram feitas com mais calma, retrabalhando trechos e buscando a melhor execução. A mixagem contou com o talento e parceria do meu amigo André Brasil, que também foi responsável pela masterização.
Assim nasceu The Timeline Experience: um disco autoral, experimental e totalmente baseado na exploração criativa de um único pedal. Um projeto que começou como solução prática e se tornou uma das experiências musicais mais ricas e pessoais que já vivi.
O Trabalho de Conclusão de Curso
A quem interessar, está disponível aqui para download a versão final do meu Trabalho de Conclusão de Curso de Música da UFRGS, que resultou no disco The Timeline Experience.
O Disco explicado em Vídeo
Nesse vídeo eu abro a caixa-preta do The Timeline Experience, meu disco gravado só com guitarra e um pedal de delay. Mostro como surgiu a ideia, como fui compondo a partir da exploração dos presets do Timeline, e por que o delay virou uma parte ativa da composição — às vezes criando ambiência, às vezes guiando completamente o que eu tocava. A gente passa pelos principais parâmetros, algumas funções específicas do pedal e pelas partes mais marcantes das músicas, pra entender o quanto esse delay mudou a sonoridade final do disco.






























